21/08/2007





Mia Couto deveria ser leitura obrigatoria em todas as escolas onde se estuda a lingua portuguesa. Sua forma de brincar com o idioma, de recriar nossos sentimentos com palavras e expressões que so se podem entender sentindo, seu profundo respeito pelo ser humano, pelo menos o que transparece na sua obra, faz com que cada livro lido seja um novo presente, um novo redescobrir dessa lingua que é a minha e pela qual tenho tanto amor.


Para quem não sabe, Mia Couto é um escritor Moçambicano nascido em 1955, foi jornalista durante a guerra pela independência do Moçambique e é também biologo e professor.


Então por favor, nada de correr pra livraria comprar o ultimo best porcaria que esta na lista da VEJA, coloque um vestido de algodão, prepare um cha bem gostoso, sente na poltrona mais confortavel ou numa deliciosa rede e pegue um livro desse moço ai. Pode ter certeza que quando chegar na ultima pagina a tua existência sera mais real, as tuas noites mais estreladas, e o teu coração vai transbordar de significâncias.


Vai la logo! Ta fazendo o que? Ainda na frente do computador?




P.S.: ponho so os acentos que tem no teclado

18/08/2007

Gosto e Desgosto

Tem umas mulheres no mundo que me deixam louca, louca de raiva e de desgosto.
Pra começar tem as mulheres que acham que sao menininhas, aquelas que falam mole, que fazem beicinho, e que usam sempre a frase: vou pedir pro meu marido (ou namorado) pra ver se ele deixa.
Isso me mata. Depois de séculos tentando ter uma minima autonomia, depois de tanta mulher queimada na fogueira as desgraçadas se comportam como se tivessem 5 anos e tivessem que pedir a permissão para o macho da casa.
Tem também aquelas que suprem no guarda-roupa aquilo que falta dentro do cérebro; não lêem porque: livros no Brasil custam uma fortuna! Não se instruem porque acham que cultura rima com esnobismo mas se passarem uma semana sem comprar um vestidinho ou um sapatinho ou uma blusinha terão que gastar uma fortuna no psicanalista para resolver a depressão.
Ai na lista vêm aquelas que nâo conseguem ficar sozinhas, que se sentem "um lixo" se não tiverem um caboclo do lado, que são incapazes de ter vida fora do universo do casal, que vivem relações deprimentes, tristes, sem nenhuma perspectiva de felicidade mas que pensam que "ruim com ele pior sem ele".
E depois as vitimas, aquelas pobres criaturas que vieram ao mundo pra ser injustiçadas, que ninguém entende e que se você decide manda-las pra putaqueopariu elas começam a chorar ou pior, dizem não entender a tua raiva, a tua maldade, essas sinceramente eu gostaria de esquartejar.
Mas pior de todas, aquelas que merecem a cadeira elétrica, a injeção letal são as que se calam, que se calam diante das injustiças cometidas cada dia contra outras mulheres, que diante de uma cena de discriminação seja ela religiosa, racial, social ou sexual, viram o rostinho pro lado porque preferem não saber, que fecham os olhos diante da violência, da dor do proximo, para essas ai mes amis, uma morte rapida e sem muita choradeira que este mundo precisa de espaço pra gente menos futil, menos burra e menos irresponsavel.

P.S.: o teclado é francês então coloquei os acentos que encontrei!

13/08/2007

Amor en dos tiempos

I

Mi pedazo de dulce de alfajor de almendra
mi pajaro carpintero serpiente emplumada
colibri picoteando mi flor bebiendo mi miel
sorbiendo mi azucar tocandome la tierra
el anturio la cueva la mansion de los atardeceres
el trueno de los mares barco de vela
legion de pajaros gaviota rasante nispero dulce
palmera naciendome playas en las piernas
alto cocotero tembloroso obelisco de mi perdicion
totem de mis tabues laurel sauce lloron
espuma contra mi piel lluvia manantial
cascada en mi cauce celo de mis andares
lus de tus ojos brisa sobre mis pechos
venado jugueton de mi selva de madreselva y musgo
centinela de mi risa guardian de los latidos
castañuela cencerro gozo de mi cielo rosado
de carne de mujer mi hombre vos unico talisman
embrujo de mis petalos deserticos veni otra vez
llamame pegame contra tu puerto de olas roncas
llename de tu blanca ternura silenciame los gritos
dejame desparramada mujer.

II

Campanas sonidos ulular de sirenas
suelto las riendas galopo carcajadas
pongo fuera de juego las murallas
los diques caen hechos pedazos salto verde
la esperanza el cielo azul sonoros horizontes
que abren vientos para dejarme pasar :
« Abran paso a la mujer que no temio las mareas del amor ni los huracanes del desprecio »
Vencio el vino añejo em tinto el blanco
salieron brotaron las uvas con su piel suave
redondez de tus dedos lloves sobre mi
lavas tristeza reconstruis faros bibliotecas
de viejos libros con hermosas imagenes
me devolves el gato rison Alicia el conejo
el sombrero loco los enanos de Blanca nieves
el lodo entre los dedos el halito de infancia
estas en la centella en la ventana desde donde
nace el arbol tropo tacitas te quiero te toco
te descubro caballo gato luciernaga pipilacha
hombre desnudo diafano tambor trompeta
hago musica
bailo taconeo me desnudo te envuelvo me envuelves
besos besos besos besos besos besos besos besos
silencio sueño.
Gioconda Belli

Et j'ai tant appuyé

Mes lèvres sur son coeur

Qu'à la place du baiser,

Y'avait comme une fleur

Comme un p'tit coquelicot mon âme,

Comme un p'tit coquelicot.


Mouloudji ( Comme un p'tit coquelicot)

Image: Samya Mateus


11/08/2007


imagem de Michael Nichols


BOM FIM DE SEMANA A QUEM PASSAR POR AQUI!


Graças a Deus minha insônia voltou. Eu ja estava até ficando preocupada, como vou passar a noite inteira na internet se estava dormindo como qualquer filho de Deus?
Mas agora que fico acordada até cinco da manhã e depois passo o dia insultando pobres turistas e aumentando neles a certeza que "todo francês é mal educado" mesmo eu nao sendo nem de longe uma nativa destas terras, posso tentar levar a sério este blog.
Vou ser uma pessoa melhor, tentar dar continuação a tudo o que começo, e a partir de hoje eu vou postar um texto por aqui pelo menos três vezes por semana, promessa!

24/07/2007

Café Nostalgia

Amar es lo que me impide amar con rutina. Porque cuando amo me doy demasiada cuenta de lo que estoy sintiendo, ya que siempre vuelvo a enamorarme con aquella intensidad profética de la adolescencia. Samuel habrá sido la última prueba? Vivir es lo que me inhibe vivir con despreocupación, porque yo vivo todo con un exceso de sensaciones. Me agrada que el sol penetre en mi piel hasta que los poros se abran en condenadas ampollas, disfruto que el mar arrugue mi carne con sus olas como navajas saladas, que el aire produzca infección en mis lagrimales y el pus se endurezca en legañas o postillas, disfruto tragar polvo, sentir en mi garganta el cosquilleo del alto nivel de polución. Y claro, vivir de esa manera tan física, tan trascendental, me aniquila; entonces me refugio en los libros. Leer me impulsa a leer. La lectura es la señal de que aún poseo inocencia, de que todavía puedo preguntar. Preguntar, a quién? cuando voy por la mitad de un libro por fin dejo de ser yo. Porque leyendo sueño. Pero leer, soñar y besar en los labios es vivir con mi yo, dentro de mi yo. Aprecio la melancolía del yo. Existe una extraña seducción entre tu yo y el mío, entre el yo de aquel que por convencionalismos morales o traumas sociales restará importancia al yo íntimo del otro. Leer es lo único que puede hacer coincidir las soledades sin que nuestro ego predomine por encima de las épocas, los sitios, la costumbre del otro. Aceptar al prójimo no es lo mismo que tolerarlo, es una verdad de Perogrullo que hemos desdeñado demasiado aprisa. En el verbo tolerar está ímplicita la censura. Todavía el hecho de leer permite, anque a duras penas, a causa de constituir una vivencia cultural, la aceptación del otro yo, y en el más afortunado e inteligente de los casos admitimos mezclarlo con el nuestro. Aceptamos el miedo a la muerte, el cual asumimos como un suceso culto.

Zoé Valdés in Café Nostalgia

21/07/2007

Thierry Henry


Lindíssimo e de novo solteiro! Bom fim de semana a todos!
p.s.:foto tirada na net e desconheço o autor, se alguém souber me avise

19/07/2007

Congonhas


Meus parabéns ao Lula, à administração de Congonhas e a todos os outros irresponsáveis que por ganância e incompetência se transformam em assassinos.

18/07/2007

correção

Na postagem anterior escrevi sobressaltos com um s só. Vai aí a correção e meu pedido de desculpas.

Robert Desnos

Robert Desnos é um poeta surrealista francês nascido em 1900 em Halles. Libertário apaixonado, Desnos combateu contra as tropas nazistas e foi deportado para Auschwitz em abril de 1944.
Em 1945, foi mandado a Terezin, na Tchecoslovaquia onde morreu.
Admirado pelos surrealistas com quem rompeu em 1927 por não querer se engajar ao partido comunista, é considerado um dos mais importantes nomes da poesia francesa do século XX.

Je chante ce soir non ce que nous devons combattre
Mais ce que nous devons défendre.
Les plaisirs de la vie.
Le vin qu'on boit avec les camarades.
L'amour.
Le feu en hiver.
La rivière fraîche en été.
La viande et le pain de chaque repas.
Le refrain que l'on chante en marchant sur la route.
Le lit où l'on dort.
Le sommeil, sans réveils en sursaut, sans angoisse du lendemain.
Le loisir.
La liberté de changer de ciel.
Le sentiment de la dignité et beaucoup d'autres choses.
Dont on refuse la possession aux hommes.

Robert Desnos (fevriér 1938)

Eu canto esta noite não aquilo que devemos combater
Mas o que devemos defender.
Os prazeres da vida.
O vinho que bebemos com nossos camaradas.
O amor.
O fogo no inverno.
O córrego fresco no verão.
A carne e o pão de cada refeição.
O refrão que cantamos quando marchamos pela estrada.
A cama onde dormimos.
O sono, sem acordar em sobresaltos, sem a angustia do amanhã.
A diversão.
A liberdade de mudar de céu.
O sentimento da dignidade e muitas outras coisas.
Que refusamos aos homens a sua possessão.

(tradução literal )

16/07/2007

Brasil, Brasil

Hoje faz um mes exatamente que estou no Brasil, um mes que vendo jornal nacional fico desesperada torcendo por uma, so uma noticia boa, mas nada!
Politico corrupto e bandido, que no fundo e tudo a mesma coisa.
Depois tem tambem a outra possibilidade de entretenimento que e participante do big brother que vira gala nacional. O que e isso minha gente?
Sera que nao dava para uma vez, uma so, colocar na televisao uma mocinha que tem mais cerebro que bunda? Ou quem sabe um politico que roubou so um pouquinho, mas tao pouquinho que a gente ate pensa que ele foi legal, que deu uma mao para a saude, para a educacao pelo amor dos deuses porque nao da pra viver so de 'pao e circo'?
Mas acho que nao vai dar nao, o jeito vai ser me conformar com as ultimas ferias da Ana Maria Braga na Europa ou com o ultimo casamento da Ivete Sangalo.
Mas dai eu me pergunto, e isso mesmo que o povo gosta? Sera que a Rede Bobo e outras redes bobinhas teriam tanto exito se um livro nao custasse uma fortuna ou se na escola os professores gostassem tanto de ler mas tanto mesmo que os meninos se empolgariam e decidiriam passar mais tempo na biblioteca que assistindo coco pela teve? Ou quem sabe fossem so duas novelas por noite e de repente um programinha inteligente no horario nobre, so para variar?

P.S.: Este teclado e gringo e nao tem acento nao!

27/06/2007

Porque O labirinto de Arianna e não O novelo de Arianna? Porque o labirinto era dela e acabou. Por que sem ela Teseu nao entraria na historia, ou seria só mais um homem insignificante que tentou e nao entrou. O labirinto era dela, o novelo era dela e a inteligência e a perspicacia de uma mulher que sem os musculos e sem espada e com aquele novelinho transformou um homem num herói.

25/06/2007

Le nozze di Cadmo e Armonia

Dioniso ritrovò Ampelo insanguinato nella polvere, ma ancora bello. I Sileni, in circolo, cominciarono il lamento. Ma Dioniso non poteva unirsi a loro. La sua natura non gli consentiva le lagrime. Pensava che non avrebbe potuto seguire Ampelo nell'Ade, perché era immortale: si riprometteva di uccidere con il suo tirso l'intera stirpe dei tori. Eros, che aveva preso l'aspetto di un irsuto Sileno, gli si avvicinò per consolarlo. Gli dise che il pungolo di un amore poteva essere guarito soltanto dal pungolo di un altro amore. Perciò guardasse altrove. Quando un fiore é reciso, il giardiniere ne pianta un altro. Eppure Dioniso ora piangeva, per Ampelo. Era il segno di un evento che avrebbe cambiato la sua natura, e la natura del mondo.
A quel punto le Ore si affrettarono verso la casa di Helios. Si preannunciava una scena nuova sulla ruota celeste. Occorreva consultare le tavole di Armonia, dove la mano primordiale di Fanes aveva inciso nella loro sequenza, gli eventi del mondo. Helios le indicò, affisse a una parete della sua casa. Le Ore guardavano la quarta tavola; c'erano il Leone e la Vergine, e Ganimede con una coppa in mano. Lessero l'immagine: Ampelo sarebbe diventato la vite. Colui che aveva portato il pianto al dio che non piange avrebbe anche portato delizia al mondo. Allora Dioniso si riebbe. Quando l'uva nata dal corpo di Ampelo fu matura, staccó i primi grappoli, li spremette con dolcezza fra le mani, con un gesto che sembrava conoscere da sempre, e si guardò le dita macchiate di rosso. poi le leccó. Pensava: Anche morto, non hai perso il tuo colore rosato. Nessun altro dio, non certo Atena col suo sobrio ulivo, e neppure Demetra col suo pane corroborante, avevano in loro potere qualcosa che si avicinasse a quel liquore. Era appunto ciò che mancava alla vita, che la vita aspettava: l'ebbrezza.

Roberto Calasso